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segunda-feira, 25 de abril de 2011

JOSÉ DA NATIVIDADE SALDANHA, UM POETA DE JABOATÃO

A FLIGUARA se aproxima e prometemos apresentar a cada dia, fragmentos de obras e poetas consagrados. Para hoje escolhemos a poesia de  NATIVIDADE SALDANHA. 

À SOMBRA DESTE CEDRO VENERANDO 
À sombra deste cedro venerando,
momentos mil gozaste encantadores…
Aqui mesmo, sentado entre os verdores,
te achou mil vezes Pedro suspirando…
Parece-me que estou ‘inda escutando
teus suspiros, teus ais e teus clamores…
Parece-me que a Fonte dos Amores
‘inda está de queixosa murmurando!…
Aqui viveu Inês!…E, reclinada
à borda desta fonte clara e pura,
foi – que horrível memória! – traspassada!
Mortais, gemei de mágoa e de ternura;
nesta rara beleza, não manchada,
foi culpa amor, foi crime a formosura…

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830. Mestiço, era filho de padre e de mãe mulata. Formado em Direito (1823) pela universidade de Coimbra. Ainda estudante, publicou «Poesias dedicadas aos amigos e amantes do Brasil» (1822). Em 1824, condenado à morte por envolvimento na revolução pernambucana da Confederação do Equador, fugiu para os Estados Unidos da América do Norte e daí para França, Inglaterra, Venezuela e Colômbia, onde viveu precariamente de aulas particulares até se afogar numa vala, num dia de tempestade. Entretanto, publicara um «Discurso sobre a Tolerância» (Caracas, 1826). Mais do que um pre-romântico, foi um epígono retardatário do Arcadismo.
Soneto e Nota biobliográfica extraídos de A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. 
Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.


SONETO

Se no seio da pátria carinhosa,
Onde sempre é fagueira a sorte dura,
Inda lembras, e lembras com ternura,
Os meigos dias da união ditosa ;

Se entre os doces encantos de que goza
Teu peito divinal, tua alma pura
Suspiras por um triste e sem ventura,
Que vive em solidão cruel, penosa ;

Se lamentas com mágoa a minha sorte,
Recebe estes meus ais, oh minha amante,
Talvez núncios fiéis da minha morte.

E se mais nós não virmos, e eu distante
Sofrer da parca dura o férreo corte:
Amou-me, dize então, morreu constante.
 
SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX

Extraído de SONETOS BRASILEIROS Século XVII – XX. Colletanea organisada por Laudelino Freire.  Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cie., 1913

AOS FILHOS DA PÁTRIA
Filhos da Pátria, jovens brasileiros
Que as bandeiras seguis do márcio nume
Lembrem-vos Guararapes, e esse cume,
Onde brilharam Dias e Negreiros!
Lembrem-vos esses golpes tão certeiros,
Que às mais cultas Nações deram ciúme,
Seu exemplo segui, segui seu lume,
Filhos da Pátria, jovens brasileiros.
Esses, que alvejam campos, níveos ossos,
Dando a vida por vós constante e forte,
Inda se prezam de chamar-se nossos.
Ao fiel cidadão prospera a sorte
Sejam iguais aos seus os feitos vossos
Imitais vossos pais até na morte.

Fonte:
Pernambuco, Terra da Poesia
Organizadores: Antônio Campos e Cláudia Cordeiro
Editora Escrituras - Recife 2005


7 comentários:

  1. Não teria ficado mal uma referência ao blog onde viu apresentado o primeiro dos sonetos aqui reproduzido. Boa sorte e ... boa poesia :)

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  2. Nunca é tarde para nos corrigir. Obrigado.

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  3. Não conhecia Natividade Saldanha. Pesquisando sobre poetas pernambucanos vi este blog.
    A história da vida dele daria um bom filme.
    Muito Bom.
    Parabéns!!

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  4. Não tem muitos argumentos,as vezes as professoras de artes pedem pesquisas sobre suas obras e não nacionalidade.

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  5. Não tem muitos argumentos,as vezes as professoras de artes pedem pesquisas sobre suas obras e não nacionalidade.

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  6. Não tem muitos argumentos,as vezes as professoras de artes pedem pesquisas sobre suas obras e não nacionalidade.

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  7. Não tem muitos argumentos,as vezes as professoras de artes pedem pesquisas sobre suas obras e não nacionalidade.

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